quinta-feira, 30 de julho de 2009

- Eu te amo!
Naquele momento, era muito fácil dizer estas palavras.
Sentados ali na beira daquele rio, vendo o sol beijando a água em despedida.
- Eu também te amo.
E não disseram mais nada.
O silêncio trouxe a certeza de que as palavras eram verdadeiras.
Continuaram ali, olhando o sol se escondendo atrás da água, em sua eterna e incrível rotina.
As mãos enroscadas em um encaixe perfeito.
Ele sabia que estava ao lado de quem ele sempre esperou.


Por um momento, se esqueceu de todas as incertezas, de toda a espera.
Não teria mais de sonhar.
Era real.
E então, quando o sol finalmente deu lugar à lua,
levantaram e caminharam de mãos dadas em direção ao futuro que os aguardava.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

E então ele percebeu onde estava.
Abriu o vidro do carro para sentir o aroma de sua infância.
Ele já estivera muitas vezes ali.
Nenhuma fora igual.
Aumentou o som do carro, e pisou fundo no acelerador.
Pegou-se então olhando para trás,
mesmo sabendo que não havia nada para procurar.
O passado já não tinha tanta força.
Não havia nada ali, a não ser suas memórias.
Sua vida passava por ele como árvores na estrada.
E olhando apenas para frente, ele seguia.
A medida em que avançava,
Sentia brotar algo que ele não conhecia há tempos.
Ele estava, enfim, livre.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Poucos momentos foram tão marcantes como aquele.
O passado aflorava em sua pele provocando arrepios.
Ele sabia que nada seria igual depois de estar ali.
Andou dois passos.
E então, aquela visão o transformou.
Todas as pequenas coisas foram se encaixando, formando uma só.
Um só momento.
Respirou fundo, e avançou.
Era possivel estar ali novamente?
Uma mistura de passado com presente, saudade com entusiasmo.
Subiu o pequeno degrau e tocou a maçaneta, demorando-se mais que o necessário.
Por fim, abriu a velha porta e o som cansado da madeira o trouxe uma onda de nostalgia ainda maior.
Não era possível saber o que encontraria.
Mas ele tinha uma certeza:
Era bom estar de volta.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sabe o que eu acho?
A vida é uma montanha em que somos obrigados a subir.
O objetivo é o topo.
Não se sabe o que tem lá em cima,
mas, o desconhecido faz parte da subida.
É necessário parar para descansar,
mas, se descansarmos mais do que o necessário,
o ócio nos domina e não nos deixa prosseguir.
E ai, ficamos parados, nem avançamos, nem voltamos.
Prosseguir faz parte da subida.
E assim seguimos, vivendo e sentindo cada momento.
Momentos de dor, de alegria, de cansaço ou satisfação.
Viveremos todos, para não chegar ao topo com sentimento de vazio por não ter vivido o percurso.
Viver é a melhor parte da subida.

terça-feira, 14 de julho de 2009

O telefone tocou.
Os dois se olharam com um olhar de "atende você".
É claro que ele não atenderia. Estava muito ocupado
ouvindo as discussões construtivas do programa de
debate esportivo da hora do almoço, um dia após o
grande clássico Mutirão de Guararapes X Nacional de
Sapopema.
Continuou ali fingindo ser surdo para o telefone,
mas todo ouvidos ao que diziam os comentaristas
cheios de razão.
Ela olhava incrédula para ele, com uma pilha de meias
no colo. Pegava uma, achava seu par, e as dobrava.
Usou a mesma tática que ele. Fingiu-se de surda.
Tanto para o telefone, quanto para a TV.
Cantarolava em sua mente um clássico da Wanderléia.
Poderia ser qualquer pessoa ligando aquela hora.
Apesar de muito provavelmente ser alguma atendente de
call-center oferecendo as vantagens de um cartão de crédito.
O telefone tocou por 1 minuto, que pareceu durar 3 horas.
Depois parou.
O silêncio invadiu a mente dos dois.
Logo após, o silêncio deu lugar à dúvida que nunca
seria sanada.

sábado, 11 de julho de 2009


Você já andou na chuva sem medo de se molhar?
Sentido a sensação da água batendo em seu corpo.
Sabendo que você faz parte daquilo.
Sem preocupações, em um momento seu.
Nada te preocupa, nada vem à sua cabeça.
Você está vivendo totalmente para você.
Então, começa a perceber que pequenas lembranças,
bons momentos e alguns não tão bons, começam a aparecer.
E se dá conta de que você está vivo.
Aproveite.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A sensação da areia em seus pés era única.
Único como o dia que nascia.
Único como ele, sozinho naquela praia.
Fitou por algum tempo as ondas.
E por uma fração de segundos, percebeu que não estava só.
Percebeu também que aquele momento não voltaria.
Por isso, tentou vivê-lo.
Sentiu a brisa acariciando seus braços abertos,
a areia gelada sob seus pés.
Ficou assim durante poucos minutos.
Por ele, ficaria ali para sempre.

Entretanto o sol, tímido, escondeu-se numa núvem escura
que teimaria em permanecer pelo resto do dia.
Ele se levantou e caminhou deixando a praia.
Tinha a certeza de que havia valido a pena.
Aquele pequeno momento ficaria eternizado em sua memória.
Único. Como a vida. Como ele.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ele sabia que havia algo diferente. Tudo parecia estranho.
Apesar de normal.
Mais uma semana começava rotineiramente.
Mas, dentro dele havia uma inquietude nova.
Que raio de sentimento sem nome era aquele?
Sua emoções se expandiam numa velocidade absurda.
Tristezas se confundiam com alegrias,
e ele nem sabia mais diferenciá-las.
Mas ele continuava seu caminho.
Já não era a primeira vez, nem a última.
Na verdade, essa era sua rotina.