
A porta do elevador se abriu com aquele estalinho peculiar.
Hesitei um pouco antes de entrar.
Talvez não seria bom dividir o elevador com 5 pessoas
que vinham do subsolo.
Por fim, entrei, espremendo-me naquele calor humano
que poderia facilmente encubar vírus de todos os tipos de gripe.
Quando a porta se fechou, e meu subconsciente treinado pela mídia já
começou a querer o álcool em gel guardado na bolsa como se fosse um escudo,
percebi que aquela viajem claustrofóbica me reservaria alguns momentos de distração.
O nerd gordinho de óculos e barba rala do 5º andar
olhava de uma maneira sensualmente convidativa para a loira do 6º!
Antes que eu pensasse qualquer maldade, ele disse à loira,
ignorando totalmente os outros presentes:
- E o Michael, hein?
"Maicon?" pensei abismado!
Mas antes que eu completasse o pensamento, a loira me ajudou.
Depois de olhar para os lados verificando se o questionamento
era dirigido à ela, disse:
- Que Maicon?
- O Jackson. Coitado.
- É. (cara de abismo).
Silêncio.
Seria aquilo uma cantada?
Não pode ser possível alguém achar que vai conquistar uma mulher
falando sobre Michael Jackson!
Falasse sobre temas mais atuais, gripe suína, quem sabe.
Mas Michael Jackson?
Novamente cortando meus devaneios, fui atingido por um golpe no estômago:
- O que você vai fazer a noite?
É. Talvez o nerd gordinho fosse bem direto!
Nesse momento, as 4 cabeças (inclusive a minha) passavam do nerd
para a loira como num jogo de tênis.
- Tenho que limpar a casa.
E olhou para o painel com cara de poucos amigos.
As 5 cabeças (inclusive o nerd) olharam para baixo.
A porta se abriu no meu andar, e uma lufada de ar puro
me convidou ao alívio.
E, antes de fazer qualquer coisa,
tirei meu potinho de álcool gel da bolsa.
Vai saber.