sexta-feira, 21 de maio de 2010

A vida, enfim, me mostra que o poeta tinha razão.
O tempo escorre pelas mãos. E não há tempo que volte.
Quando me dou conta, passaram-se meses. Anos.
Os anos voam.
É inacreditável a rapidez com que os anos voam.
E quando tento me lembrar de como as coisas eram alguns anos atrás,
percebo como a vida nos molda.
E, por outro lado, como não mudamos nada.
Somos a criança medrosa, que sonha com futuros que talvez nunca irão chegar.
Mas também somos a responsabilidade que admirávamos nos mais velhos,
e que hoje gostariamos de abandonar.
Assim, caio novamente nessa complexidade de contrastes.
E percebo que nunca seremos um extremo.
Talvez não.
A única verdade deste texto, talvez,
é de que o tempo nos escorre.
E não há tempo que volte.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Só se tem saudades do que é bom.
E não é vergonha sentí-la.
Saudade é muito mais forte do que uma simples lembrança.
A saudade machuca. Dói.
E, apesar de contraditório, a saudade é boa.
É um elo com o que fomos no passado.
Somos sentimentos vividos, traduzidos em saudade.
E quando menos se espera,
nos deparamos com saudades de nós mesmos,
ao fitarmos o estranho no espelho que insiste em estar ali.
Roubando o lugar do velho eu.
Que ficou no passado. Traduzido em saudade.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

E assim, mais um dia ia chegando ao fim.
O sentimento já não o deixava. Não sabia a quem recorrer.
Via-se solitário em meio ao tumultuado dia-dia.
Era dificil fechar os olhos e esquecer de tudo que acontecera.
Lembranças muitas vezes são como vento, uma brisa passageira.
Outras, porém, são espinhos atravessando a carne.
Sem pena.
E em meio a essa confusão mental, achou graça de si mesmo.
Divertiu-se com sua dor, percebendo que ela
era a única ponte com o passado.
Um passado que ele, definitivamente,
não queria esquecer.

quarta-feira, 31 de março de 2010

É, você já deve ter
se alegrado com uma coisa banal.
Uma música, vento na cara, tarde de sol.
Afinal, o que é banal?
O que nos importa na verdade,
está longe de ser o que nos disseram que era importante.
E assim, o banal se torna essencial.
As coisas simples se tornam grandes.
Assim como estas palavras banais.
Como eu e você.
Como a vida.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A visão que temos de nós mesmos nem sempre é a real.
Passamos a maior parte da nossa vida olhando para nossos próprios pés.
E é por isso que muitas vezes,
ao fitar o espelho, o que vemos é um estranho.
Um estranho que compartilha dos nossos segredos,
dos nossos sentimentos, das nossas alegrias.
Acabamos nos apegando mais aos outros do que a nós mesmos.
Afinal, são seus rostos que nossos olhos fitam a todo o tempo.
Nesse ponto é necessário entender que somos uma soma.
Somos a soma de nós mesmos.
Nossos sentimentos somados ao estranho do espelho.
Mas também somos os outros.

Somos o reflexo das nossas convivências.
Somos filhos da mesma origem.
Somos todos um.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Com um leve sorriso nos lábios
ele vivia aquele momento em silêncio.
Em outra época, tentaria exteriorizar desesperadamente
tudo o que estava sentindo.
Entretanto, depois de tudo o que vivera,
finalmente compreendeu.
Nem sempre as pessoas conseguiam visualizar na plenitude
a complexidade dos seus sentimentos.
E assim, apenas se permitia sentir aquele jorro de emoções.
Sentia-se cúmplice de si mesmo.
E sabia que era esse o caminho.
Já não importava o modo como os outros o enxergavam.
Seus olhos encaravam aquele reflexo no espelho de outra forma.
E isso lhe bastava.